15.9.03

Sinto, no momento triste da morte do Damas, o morrer-me o passado.

Posso pensar que na cabeça, na memória, muitas coisas sobreviverão, mas a névoa do esquecimento vai impedindo que as veja nítidas.

Numa história simples: tenho o apelido Damas, vulgar na minha região de muitos parentes. Nos anos 70 e 80, os meus amigos chamavam-me assim, e eu ficava contente porque era o mesmo nome do guarda redes do meu Sporting.

Outras histórias simples e tristes:
Em quinze meses de Mafra, passei várias vezes à Tapada. Nos dias chuvosos de uma semana de campo lembro-me de ter tido muito gosto em apreciar aquelas muito belas paisagens - ontem matou-as o fogo .
O fogo este ano anda assassino como nunca: também matou, neste segundo assalto, o resto da paisagem do alto da Fóia em Monchique. Assim, dificilmente terei de lá a visão límpida que procurei sem sucesso na meia dúzia de vezes que lá subi.



Estes apostamentos que praqui escrevo não há meio de deixarem o cinzento.

O Dr. Durão tem "uma via". O Dr. Durão mostra energia quando muda um mapa de Portugal, na parede de uma escola de Alfandega da Fé.
O Dr. Durão está a proceder à "Reforma da Geografia Nacional"...
Eu gostava de ver melhor o mapa novo, de relance pareceu-me pior que o velho, mas não garanto. O que garanto é que o mapa velho era bom e parece que vai pró lixo.
Na via do Dr. Durão se algo funciona mal acaba-se com algo.
E aí está, incendiário, a prometer a morte a todas as escolas com menos de 10 alunos.

Eu, Dr. da mula russa, acho que em qualquer povoação a escola devia ser a última casa a fechar.
As escolas são, ou podem ser, espaços de:
aprendizagem, convívio,
dinamização social e cultural,
internet, acesso a redes de comunicação, apoio a actividades de escolas urbanas,apoio aos bombeiros, apoio aos idosos, apoio à leitura e à escrita, ao saber, ao Verão...

As escolas fechadas, destelhadas, com carteiras empilhadas no exterior à espera de uma fogueira, descaiadas, com recreios cheios de ervas, abandonadas na Medroa, na Pucariça..., são só mais uma representação da decadência do país.

Não há por certo uma só via.
Por exemplo, para os espanhóis e franceses as vias verdes não são umas caixas que se colam no para brisas, por exemplo...

12.9.03

eu nunca serei eu

11.9.03

Tramagal
Culatra

desenvolver...é encontrar soluções felizes para os problemas da vida

10.9.03

não contestes, não refiles...
pa pum... a ver se me livro desta energia:

é dificil explicar a muitas pessoas, dessas que nos dirigem e marcam o futuro, que normalmente não é a realidade que se engana.

Mais uma vez, a politiquinha e a falta de engenho mata sonhos:
querem pôr a Culatra, aldeia do extremo Sul de Portugal Continental, nas traseiras de um porto de pesca.

8.9.03

não há volta a dar? nem das de 150º?

nunca o "querer é poder" esteve tão longe de ser verdade. herdamos um país difícil.

Se bem me lembro, datam da época do Prof. Cavaco Silva as grandes plantações de eucaliptos. É nas décadas de 80 e 90 que morre o mundo rural e se fazem as autoestradas e viadutos pros subúrbios.
Já nessa altura houve quem avisasse para os malefícios do eucalipto e os perigos do dualismo. Com menos betão e mais educação, a massa nacional era capaz de ter ficado melhor.

2.9.03

Observar fotografias aéreas a ver plantações de eucalipto

26.8.03

Para o sr.presidente da camara de monchique, no governo há quase 30 anos, arderam 20000ha do seu concelho porque dois aviões se atrasaram umas horas.

Pela imprensa vi que o sr ministro da defesa foi a Mação homenagear um militar falecido. Para além de alguns "não comentários" de mau gosto, nada lhe ouvi. Sobre a terra queimada: silêncio. O sr ministro é esperto, sabe que mais vale ficar calado, não vá alguém comparar o nº de militares em cerimónias com o que combateu os incêndios.
Pede-se ao sr ministro da defesa que vá a Mação explicar como as nossas forças armadas vão ajudar na reconstrução daquela Pátria.

23.8.03

Não tem que ser assim
Podemos querer ser sempre muito mais felizes
Recta da Pinheira

14.8.03

Quantos aglomerados e dispersos do país ainda existem?
Comparando a distribuição da população nos últimos três censos verifica-se o desaparecimento de centenas de nomes de terras.
Alcarias morreram dezenas, Casais foram ainda mais...
Sabendo-se que hoje, nos aglomerados com menor dimensão, o número dos que têm menos de 50 anos é muito reduzido, prevê-se que ainda muitos sítios irão desaparecer..., alguns tragicamente queimados, sem que ninguém lhes escreva o Vilarinho das Furnas.

10.8.03

Ainda devíamos gritar NUNCA MAIS, mas já estávamos cansados.
Entre manhas e falinhas, tudo ficará na mesma, seremos de novo enganados.

9.8.03

a cor.
Segundo notícia caida num qq noticiario, até os cegos sentem cores.
preto e branco, ser ou não ser.

7.8.03

O estado a que o País chegou, depois de tantos anos de governo do bloco politiqueiro, foi posto à evidência com a catástrofe que vivemos nestes dias.

Está na hora de devolverem os tachos.



5.8.03

Ouve-se o uivar.

4.8.03

Tá tudo queimado
Vou pela rua da minha aldeia, ao caminho das hortas, pela azinhaga ao Ribeiro Seco, ao Tejo.
No pial da Fonte Velha choramos.

3.8.03

VERGONHA, sinto uma imensa vergonha.
Hoje arderam os quintais da minha infância.
Para onde levaram o corpo de Portugal?
Bicas, Martinchel, Rio de Moinhos... o ar queimado, a cinza.
Há mais de 20 anos que andamos a brincar com o fogo.

Tanto desgosto.

2.8.03

A Nazaré não está no mesmo sítio.