20.2.10

É interessante salientar ainda que a Metalúrgica Duarte Ferreira possuía uma grande casa agrícola, da qual tirava dois tipos de benefício: «[...] um, a exploração agrícola propriamente dita; o outro, o principal,ter um vasto campo experimental para a maquinaria agrícola da sua fabricação.» Com o mesmo fim foi instalado um lagar de azeite, «onde eram aplicados os aparelhos para a indústria oleícola». Assim, a fábrica do Tramagal torna-se «uma das principais fundições do País [que progrediu] porque o seu iniciador, quando fabricava uma charrua, marchava para o campo a experimentá-la e só a lançava no mercado depois de corrigir os defeitos que a prática lhe indicava. O seu fabrico [...] impunha-se [...], não pelo seu preço, [...], mas sim pela sua inigualável qualidade. E assim, a fundição do Tramagal é hoje um colosso».
in: Análise Social, vol. XIV (54), 1978-2.°, 321-389; José Machado Pais, Aida Maria Valadas de Lima, José Ferreira Baptista, Maria Fernanda Marques de Jesus, Maria Margarida Gameiro; Elementos para a história do fascismo nos campos: A «Campanha do Trigo»: 1928-38 (ii) *

4 comentários:

Atalaia disse...

O Livro quanto a mim, e por aquilo que o amigo TZ relata na apresentação do post;Poderia e devia ser sujeito a algumas correcções!...Isto porque além de ser um factor de experiência das máquinas no terreno,servia também como principal factor,«FORMAÇÃO PROFISSIONAL» dos seus agentes de assistência após venda ... O principal garante no êxito do volume de vendas.Por sinal ainda não li este livro mas procurarei lê-lo.

TZ disse...

É um excerto de dois artigos publicados na revista Análise Social que não trata especificamnete da MDF. Clicando no link do final do post permite ir para o documento em formato pdf. Depois sugiro que se use o "localizador" pesquisando "Duarte Ferreira".

Atalaia disse...

Amigo TZ
Agradecido pela sua informação, da qual já tirei ilações duma breve leitura das páginas onde consta a DUARTE FERREIRA.Verifiquei que se refere sucintamente às instalaçôes adquiridas à Metalurgica do Norte não se debruçando contudo, ao tipo de produção efectuada nestas instalações.A produção nestas instalações constava principalmente do seguinte:Estampagem de (louça esmaltada) e esmaltagem de electrodomésticos;Destes destacam-se as marcas PRESMALTY e LEÃO.E continham como selo de marca, não a borboleta, mas sim um carimbo com uma Águia.As suas instalações situavam-se na RIBEIRA - PORTO.O livro debruça-se de facto numa análise social,mas importa também esclarecer duma maneira mais correcta para que se saiba todo o potencial da nossa industria de outrora,e se possa efectuar quem assim o entender fazer, uma correcta comparação com a indústria contemporânea.Correcto ?

TZ disse...

Certo. Todas as "achegas" são sempre benvidas. A minha intenção com a publicação do excerto foi essencialmente: referenciar e ilustrar a relevância da indústria no Tramagal.
Há um aspecto que aproveito para notar: os anos a que se referem os textos foram os que se seguiram a uma grande crise económica mundial (e antecederam a IIªGrande Guerra !),um pouco à semelhança do que se passa actualmente. Como irá o Tramagal sair da crise de hoje? Os tempos são outros, mas após as crises é normal surgirem coisas novas...